André Ferreira

 

Dona Clemência

 

Quando estagiário, cuidei de 2 execuções de dívidas condominiais de uma senhora boliviana chamada Amparo, radicada há muitos anos no Brasil. Ela tinha um padrão de vida bom, mas após a separação perdeu o controle da situação financeira (basicamente gastava mais do que tinha de renda) e acabo se complicando. Os processos eram perdidos e, quando tomei pé da situação, o arremate já havia sido realizado e só restava levantar o valor da diferença da venda após o pagamento da dívida de condomínio. Ela ficou furiosa por perder o apartamento, mas conseguimos algumas coisas boas . A primeira foi encontrar sua única filha, que há anos havia “desaparecido no mundo” por causa das drogas (crack). Fazendo um trabalho de detetive, consegui localizar a filha em Tatuí, interior de São Paulo. Ela estava morando numa casa de acolhida a moradores de rua e estava aos poucos se reabilitando. Havia tentado contato com a mãe há alguns anos, mas não teve sucesso. Assim, recebeu a notícia que a Amparo estava aos nossos cuidados com alegria. Um e mais encontros ocorreram entre as duas em Tatuí. A segunda coisa boa foi arrumar o aparelho auditivo da Amparo. As pilhas haviam terminado há alguns anos e consegui achar uma loja que vendia no Shopping Eldorado. Comprei e trocamos no aparelho. Ela passou a escutar as orientações melhor (ah, ela ia toda semana no DJ no meu plantão e ficava pelo menos 1 hora lá). Por fim, a terceira coisa boa foi uma ajuda que tivemos do Lucas Marin, aluno da FEA na época, que fez um planejamento financeiro para a Amparo. Ele planilhou os gastos e renda dela e sugeriu várias medidas para ela economizar o dinheiro da poupança e aproveitar melhor o único rendimento que recebia (pensão do ex). Não consegui fazer nada para os processos dela, mas acredito que estas 3 coisinhas foram de grande ajuda. Aprendi bastante com a Amparo, em especial que o atendimento no XI vai bem além de só fazer um arroazoado ou uma notificação extrajudicial. Agradeço também a ela, que confiou em mim apesar da inexperiência e sempre me levou muitos presentinhos, mesmo após eu já ter me formado e passado o processo para outras estagiárias.

 

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